Serviços de apoio às pessoas mais velhas

29-07-2024

Uma reflexão sobre as respostas sociais existentes para as pessoas mais velhas e a forma como respondem aos seus problemas e necessidades

Se no passado o envelhecimento era considerado um processo natural, competindo à família o "dever moral" de cuidar os seus idosos, no presente, ele é encarado como um problema social, verificando-se uma transferência dos papeis das famílias para o estado, passando os idosos de hoje a dependerem cada vez mais de si próprios e/ou das respostas existentes nas suas comunidades. Estas transformações concorrem juntamente com outros fatores, para o aparecimento de sentimentos de ansiedade, tristeza, medo, isolamento e solidão.

Ora estes dois últimos conceitos, embora relacionados, têm significados distintos. Se por um lado, a solidão é algo subjetivo que resulta de um diferencial entre as relações interpessoais desejadas e as efetivas, o isolamento respeita à falta de interação e conexão social. Desta distinção resulta o facto de que, apesar do isolamento poder influenciar sentimentos de isolamento, não significa que um idoso isolado socialmente se sinta só e que um idoso integrado num ambiente familiar e/ou institucional sofra efetivamente de solidão.

Sabendo que o Porto tem 26% da sua população com mais de 65 anos e, que uma das consequências do envelhecimento é o isolamento social, e que este assume grande gravidade pelos impactos negativos que causa na qualidade de vida dos idosos (que vão desde o aumento de doença física e mental, até ao declínio cognitivo), parece-nos de extrema importância que se reflita se as respostas sociais direcionadas para os mais velhos serão capazes de responder a este desafio.

O Estuário andou pela Foz e chegou à conversa com um grupo de seniores, utilizadores de um Centro de Dia, e conseguiu descobrir que na sua maioria, residem sozinhos, perderam grande parte dos seus vizinhos, têm dificuldade em se deslocarem e acederem a bens e serviços, sofrem preconceitos da elite instalada e são muito pouco ouvidos nas questões que os afetam.

Atentos a estes factos, apuramos ainda que este território proporciona aos seniores, para além do Centro de Dia, respostas de serviço de Apoio Domiciliário, Centro de Convívio e ERPI. Serão estas adequadas e suficientes para os idosos da Foz?

Investigando sobre a resposta de apoio domiciliário, depressa apuramos que garantem apoio nos períodos da manhã e final de dia, deixando a descoberto, pessoas que pela sua condição não conseguem permanecer sozinhas sem apoio o dia todo, nem conseguem, por questões de escassez económica, contratualizar outros serviços no setor privado.

Relativamente às Estruturas Residenciais, alojamentos coletivos de utilização permanente, conseguirão estas fazer uma boa adaptação dada a diversidade de perfis de idosos que acolhem?

E aqueles que já não conseguem permanecer nas suas casas e não encontram disponibilidade de vaga e por não terem meios que lhes permita um acesso a um lar privado, são forçados a desenraizarem-se para integrarem uma vaga numa terra longínqua.

Passando para os Centros de Dia, apesar do trabalho notável que fazem diariamente com estas pessoas suprindo necessidades básicas de higiene, alimentação, saúde, convívio e até muitas vezes se substituindo às próprias famílias, não conseguem assegurar o período noturno e fins de semana, ficando os idosos dependentes de si próprios e /ou a sentirem-se um "fardo" para os filhos. Se olharmos para aqueles que têm limitações na sua mobilidade, as dificuldades da resposta aumentam, pois para além das limitações de recursos humanos com que se debatem para atenderem a cada vez mais e novas necessidades, algumas instituições não dispõem de transporte adequado para assegurar o transporte destas pessoas.

Não seria urgente repensar o modelo de funcionamento destas respostas, garantindo-se o direito das pessoas mais velhas a poderem permanecer nas suas casas com os cuidados necessários a uma velhice digna?

Uma maior oferta de respostas acessíveis e adaptadas às exigências atuais das pessoas mais velhas não minimizaria sentimentos de solidão e de isolamento?

A sociedade encontra-se em constante mutação e, as necessidades dos idosos de hoje, não são as mesmas dos idosos de outro tempo, e não vão responder às necessidades dos idosos no futuro, por isso, o Estuário defende que a sociedade, as organizações sociais da terceira idade, mas, em especial os setores do estado central que tutelam as áreas a inovação e da segurança social, devem preocupar-se de repensar e modernizar as respostas direcionadas para as pessoas mais velhas, adequando-as às reais necessidades das pessoas.

O Estuário entende que as pessoas mais velhas da Foz para se sentirem menos isoladas e sós precisam de respostas mais alargadas, acessíveis e eficientes.

Precisam de "Bem Viver"

António Ferreira

Daniela Monteiro

Susana Lopes

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