Nós, os idosos do futuro!

O que nos falta descobrir sobre o envelhecimento? Qual deve ser a nossa atitude (pessoal e coletiva) como agentes e intervenientes do nosso processo de envelhecimento? Qual é a sociedade que queremos criar para a nossa velhice?
Enquanto futuros idosos, estas e outras perguntas devem ser feitas, quer em termos individuais, quer em termos de sociedade.
Hoje, mais do que em qualquer outra época da história da humanidade, temos muitas informações e dados sobre o envelhecimento. Sabemos que o envelhecimento é um dos maiores desafios do nosso tempo, pelo que se torna fulcral torná-lo uma experiência positiva.
Um dos paradigmas a alterar, relaciona-se com as perceções dos decisores políticos, para que estes invistam no potencial humano, e criem condições para que as pessoas possam alcançar a saúde física, social e mental ao longo da vida, para que o aumento da esperança média de vida seja precedido da promoção de saúde e da autonomia, devendo ser considerado um objetivo e uma oportunidade a ser alcançado independentemente da idade.
O que nos falta descobrir sobre o envelhecimento?
Vivemos numa era em que a informação chega a todos com facilidade e isso, deverá ser encarado como uma oportunidade de promover a saúde. Os estudos desenvolvidos, confirmam que uma atividade física regular, uma atividade mental estimulante, uma alimentação saudável, com baixo consumo de sal, açúcar, bebidas alcoólicas, sem tabaco, e uma vida afetiva e de relações sociais significativas, bem como, uma boa gestão do stress, podem acrescentar anos de qualidade à esperança média de vida.
Certamente, há ainda muito a descobrir sobre o envelhecimento, mas importa, agir, quer individualmente, quer enquanto sociedade com a informação que temos.
Qual deve ser a nossa atitude (pessoal e coletiva) como agentes e intervenientes do nosso processo de envelhecimento?
Em termos coletivos, é importante alterar o paradigma sobre a reforma e começar por deixar de considerar as pessoas que vão para a reforma como "improdutivas", estimulando-as a manterem-se ativas, através de ocupações, como por exemplo, a prática de voluntariado.
A Organização Mundial de Saúde, define "envelhecimento ativo" como um conceito que procura transmitir uma mensagem abrangente e reconhece que, além da idade e dos cuidados com a saúde, muitos outros fatores individuais, familiares, sociais, ambientais, climáticos, de desenvolvimento ou de conflito, influenciam e determinam o modo como os indivíduos e as populações envelhecem.
O envelhecimento da população traz desafios diversos que, vão desde os desafios sociais, económicos e políticos e causam pressão naquilo que é a responsabilidade do estado, nomeadamente, nos sistemas de saúde e de segurança social.
Contudo, projetar nas pessoas mais velhas um rótulo negativo, no qual viver mais é um prejuízo para a sociedade e um limite do acesso dos mais novos a oportunidades (aumento da idade da reforma), deve ser eliminado, combatendo, desta forma, o estigma sobre envelhecimento e alterando as perceções dos jovens adultos, preparando-os para a sua velhice. A nossa responsabilidade individual, passa por adotar comportamentos e atitudes que nos permitam viver a velhice com saúde e autonomia.
O mundo e, a Europa em particular, está envelhecida, sendo consequência da alteração demográfica e do aumento da longevidade. Esse fator demográfico, é acompanhado por baixas taxas de natalidade e baixas taxas de fecundidade, fruto do "modus vivendi" das populações, que também tem vindo a sofrer mudanças. De facto, fatores como o planeamento familiar, a igualdade de género, a independência pessoal, contribuem para o envelhecimento da população, prevendo-se que o mesmo continue nas próximas décadas.
Sabemos, portanto, que a sociedade coletivamente, deve alterar o seu entendimento quanto ao envelhecimento, sem descurar a nossa responsabilidade individual, através da adoção de hábitos e atitudes saudáveis, que nos permitam manter ativos durante mais tempo.
Qual é a sociedade que queremos criar para a nossa velhice?
A estratégia para o envelhecimento, deve ir além do aumento da idade da reforma e deve alterar a forma como olhamos para os mais velhos. Deve implementar um processo de melhoria e adequação das atuais respostas da saúde, a participação e segurança, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas à medida que envelhecem, num contexto de cooperação entre as gerações e de inovação social, política e econômica, com isto pretende-se promover, para as pessoas idosas, uma sociedade inclusiva e justa.
Na senda de preparar a sociedade para a nossa velhice, não nos podemos esquecer das pessoas, que vivem isoladas, já que, segundo dados do INE de 2021, em Portugal, 60% da população idosa vive só ou em companhia exclusiva de pessoas também idosas, sendo que muitas dessas pessoas são dependentes e apoiam-se mutuamente. Também para estas pessoas se torna necessário, encontrar respostas inovadoras.
A construção de uma sociedade mais preparada para o envelhecimento, implica, um ajustamento, sobretudo na forma como o envelhecimento é entendido, através de novas políticas e medidas que promovam a manutenção das capacidades físicas, emocionais e sociais das pessoas e do estímulo à participação cívica. Para tal, devem ser criados ambientes favoráveis e estimulantes e adequar os sistemas de saúde às necessidades das pessoas idosas, bem como, promovendo o desenvolvimento e aperfeiçoamento de novas respostas de cuidados de acompanhamento.
O processo de envelhecimento deve ser acompanhado de dignificação, respeito, saúde, autonomia, participação, segurança, solidariedade intergeracional e, de uma sociedade mais inclusiva, que promova uma nova mentalidade e combate ao idadismo.
Devemos encarar o nosso envelhecimento como um processo, e apenas através da promoção do envelhecimento saudável e da construção de uma sociedade mais solidária, em que somos agentes ativos na promoção da nossa saúde e bem-estar, nos permitirá construir um futuro melhor e olhar para o envelhecimento como uma fase de tranquilidade e paz, numa sociedade mais capaz de entender esta fase da vida!
"A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer
aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18"
(O Curioso Caso de Benjamin Button)
Daniela Monteiro